Pilates e saude

Benefícios do Método Pilates na Saúde 

Benefícios do Método Pilates na Saúde
 
Resumo:
Joseph Pilates foi um alemão nascido em
1880, em sua infância teve diversos
problemas de saúde, o que possivelmente
incentivou seu interesse pela prática de
diversas atividades físicas, o que anos
depois serviu como base para o
desenvolvimento do seu método, o
Pilates, que tem seis princípios
fundamentais: fluidez, concentração,
coordenação, centralização, respiração e
precisão. O método utilizado para o
desenvolvimento do artigo foi revisão de
literatura. Os resultados demonstram
melhora dos praticantes em diversos
aspectos como melhora da mobilidade,
postura, respiração, quadros álgicos,
concentração e força muscular. Por ser
uma atividade extremamente adaptável,
percebeu-se que o Pilates pode ser
indicado para os mais diversos públicos,
trabalhando na prevenção de doenças ou
na reabilitação.
Palavras-chave: Pilates, Contrologia,
Princípios do Pilates, Benefícios do
Pilates, Pilates e saúde.

Introdução
O método Pilates foi criado no início da
segunda guerra mundial por Joseph H.
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Revista de Saúde – RSF Brasília, v. 7, n. 1, Jan – Jul 2020
Pilates enquanto estava recluso na
Inglaterra com outros alemães.
Desenvolveu o método baseando-se nas
diversas práticas que já conhecia
(MARÉS et al., 2012). Treinou os outros
reclusos, tendo como objetivo conseguir
um controle preciso do corpo, e
recuperação para os acamados, através
de uma variedade de exercícios
executados em solo ou em aparelhos
(MACHADO et al., 2005).
Joseph Pilates nasceu na
Alemanha por volta de 1880, era uma
criança muito frágil com raquitismo,
febre reumática e asma (CAMARÃO,
2004). Mas isso não o impediu de
praticar diversos exercícios como
ginástica, esqui, boxe e luta romana afim
de adquirir uma melhorar forma física.
Seu quadro clínico apesar de
desfavorável o despertou grande
interesse sobre o corpo humano, em
especial sobre o sistema osteomuscular e
a fisiologia (MARTINS, 2013).
Estudos demonstraram que o
Pilates é uma atividade que traz melhora
global, como o aumento de força,
flexibilidade, amplitude de movimento,
consciência corporal, diminuição da dor,
melhora da postura, auxílio no
tratamento de depressão, ansiedade,
estresse (MOKHTARI et al.,
2012).Existem princípios básicos na
prática do método, caso sejam
ignorados deixam de compor o método
como deve ser, podendo atrapalhar sua
eficácia. São eles, fluidez, concentração,
coordenação, centralização, respiração
e precisão (MARÉS et al., 2012).
O princípio da concentração é
necessário para que haja atenção ao
movimento que está sendo executado a
fim de evitar que sejam executados
movimentos que possam prejudicar seu
praticante como explicaram Pilates e
Miller em 1998. Já a centralização é o
controle das estruturas corporais, através
do trabalho da musculatura abdominal,
explicado por Meija e Oliveira em 2014.
O fortalecimento do centro traz aumento
da estabilidade da coluna, melhora na
postura, equilíbrio e aumenta os
movimentos realizados pelo tronco.
A coordenação motora é a
sincronia entre o comando e a execução
dos movimentos, ela pode ser dividida
entre coordenação motora fina e
coordenação motora grossa (CHAVES
et al., 2012). No Método Pilates, a mente
deve controlar cada movimento, pois o
controle na execução desses movimentos
alcança a harmonia e aprimora a
coordenação motora, evitando
contrações musculares inadequadas ou
indesejáveis (PIRES, 2005). A precisão
é indispensável na prática do Pilates,
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pois esse princípio baseia-se em um
refinamento do movimento, ela ajudará
no realinhamento postural, no equilíbrio
dentre outros benefícios (GALLO,
2017).
Segundo Kroetz e Santos (2015)
a fluidez se trata de um movimento
contínuo sem rigidez e que ocorra da
forma mais consciente e natural possível,
a fim de evitar sobrecargas e lesões.O
controle não se trata somente do
corporal, mas também do mental sobre o
corpo para conseguir realizar contrações
concêntricas e excêntricas para a
realização de um movimento preciso e
com fluidez. Um dos principais
resultados da Contrologia é a aquisição
do domínio de sua mente sobre o
controle completo de seu corpo
(PILATES e MILLER, 1998).
Joseph Pilates afirma que
comumente as pessoas respiram
erroneamente, fazendo uso da
musculatura acessória e de somente parte
da capacidade pulmonar. Ele afirma que
se deve fazer respirações completas,
contraindo abdome, puxando o ar pelo
nariz, a fim de encher o peito, e logo após
soltar pela boca de forma mecânica
esvaziando o máximo possível o pulmão,
entretanto, a inspiração deve ocorrer de
forma mais natural possível, como
descreveram também Figueiredo e
Soares em 2017.
Andrade e Souza (2010)
observaram através de um estudo a
melhora da força muscular respiratória
em mulheres praticantes do método
Pilates em comparação a mulheres não
praticantes. Para Joseph, o fato de o seu
Método proporcionar a oxigenação plena
das células do corpo poderia contribuir
para a cura de algumas doenças e
lesões. Hassan e Amin (2011) esclarecem
os benefícios da correta respiração para
relaxamento, concentração e diminuição
dos batimentos cardíacos, assim
contribuindo para uma melhora para os
sintomas da depressão.
Estudos demonstraram também a
eficácia do Pilates para diversos fatores,
como por exemplo, a melhora
significativa na mobilidade e
flexibilidade da coluna vertebral,
correção do alinhamento postural,
melhora de equilíbrio, diminuição de dor
na lombalgia crônica, e uma melhora na
saúde de modo geral de idosas
praticantes de Pilates (SANTOS e
KRAIEVSKI., 2017).
Material e Métodos
Trata-se de uma revisão de
literatura contendo artigos pesquisados
nas bases de dados SCIELO, MEDLINE
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e LILACS, usando os descritores:
Pilates, contrologia, centralização.
Foram incluídas referências em
português e inglês, publicados entre os
anos de 2004 e 2018, excluindo os
artigos que não se enquadravam no tema
proposto ou não se enquadravam nos
critérios descritos. Após a busca os
resultados foram separados por tema,
tipo de pesquisa e ano de publicação.
Tendo sido selecionados em média 30
artigos.
Resultados e Discussão
Após a revisão da literatura
percebeu-se um consenso nas pesquisas
em relação a melhora global da saúde
dos pacientes submetidos ao Pilates. Os
benefícios observados são diversos,
dentre eles destacam-se a melhora da
mobilidade, postura, respiração, quadros
álgicos, concentração e força muscular.
Dentre os 30 artigos pesquisados,
observou-se que mais de 70%
demonstraram a melhora de quadros
álgicos. Oliveira e Meija (2015)
obtiveram como resultado a diminuição
perceptível no nível da dor lombar,
fazendo uso da Escala Analógica Visual
da dor. Evangelista e colaboradores
(2017) realizaram um estudo com 8
idosas acima de 60 anos com dores
crônicas na coluna. Durante o estudo
realizaram 7 exercícios básicos de solo,
por 1 hora, uma vez por semana. No fim
do estudo as idosas deveriam responder
a alguns questionamentos, dentre eles se
houve melhora das atividades de vida
diária que antes do Pilates solo eram
difíceis de serem executados devido à
dor na coluna.
Outro benefício evidente nos
estudos analisados foi a melhora
postural, citada em 12 artigos. Goulart e
colaboradores (2016) realizaram um
ensaio clínico controlado com 39
estudantes entre 9 e 14 anos de idade,
durante 7 meses com uma frequência de
dois encontros semanais por uma hora,
afim de comprovar a eficácia do método
para a melhora postural de coluna
cervical e cintura escapular. Observou
significativa melhora postural do grupo
praticante do método em relação ao
grupo não praticante.
Há evidencias que o método
praticado de forma correta, enfatizando a
respiração pode auxiliar na melhora da
força muscular respiratória. Jesus e e
colaboradores (2015) relataram sobre o
aumento da força muscular respiratória
com sessões regulares do método Pilates,
já que o princípio Pilates da respiração
do método exige uma expiração máxima
durante os exercícios.
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Nos estudos analisadosforam
observadas melhora da flexibilidade
mesmo não sendo o principal objetivo.
Esse resultado se deve ao motivo do
Pilates trabalhar alongamento e
fortalecimento de forma simultânea,
como descreveram Tozimet al., (2014).
Este estudo relatou o uso de um
protocolo de exercícios que envolve
movimentos de todo o corpo e não
somente grupamentos isolados. Ao fim
do estudo verificou-se significativa
melhora da flexibilidade dos
participantes.
Como resultado do princípio da
centralização percebe-se nos estudos que
há uma grande mudança na força da
musculatura abdominal, que auxiliaa
estabilização da coluna, tendo como
consequência uma melhora de
movimentos. Oliveira e colaboradores
(2013) descreveram a melhora do caso
estudado em 50% de aumento de força
abdominal e no teste estático de
resistência das costas de Sorenson os
valores passaram de 17 segundos do
inicio para 65 segundos ao final do
estudo.
Como identificado na literatura o
método Pilates tem influências positivas
sobre o equilíbrio em diferentes
populações. Santos e colaboradores
(2012) verificaram a influência do
pilates no equilíbrio de uma população
de bailarinas clássicas, envolvendo seis
bailarinas com idades entre nove e onze
anos, praticantes de balé a mais de quatro
anos e revelou mudanças significativas
no controle postural de bailarinas
clássicas.
Ainda sobre a melhora do
equilíbrio é possível perceber que esse
benefício é bastante visível também em
idosos. No estudo realizado por
Rodrigues et al.,(2009) é clara a melhora
no equilíbrio das mulheres observadas,
todas com idades acima de 60 anos, e
sedentárias. Foram submetidas aos testes
do protocolo de Tinneti no início e no
fim do estudo, evidenciando uma
melhora significativa nos 13 testes
aplicados.
Estudos recentes demonstram a
atuação do Pilates no fortalecimento da
musculatura do assoalho pélvico. Santos
et al., (2017) realizou um estudo de caso
sobre a incontinência urinária de esforço,
usando como conduta quatro exercícios,
a ponte, a ponte adaptada, o
agachamento com bola suíça e o treino
de respiração com conscientização da
musculatura pélvica. Os resultados
demonstraram que no “Pad-test” a
paciente reduziu a perda urinaria de 18g
para 1g, após a intervenção. Esses
resultados se deram após 10 sessões com
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duração de 50 minutos, sendo realizadas
duas vezes por semana.
Além do nível físico a literatura
também relata o Pilates como o método
que traz benefícios para seu praticante a
nível psicológico. Uma pesquisa
realizada por Medeiros (2012) foi além
do aspecto físico e também avaliou o
aspecto social e psicológico de idosos
praticantes de Pilates. Com um grupo
composto por 20 voluntários foi aplicado
um questionário com os três aspectos
antes e depois da pesquisa, e obteve-se
como resultado um relato de melhora de
80% à nível físico, 61% à nível
psicológico e 66,25% à nível social,
reforçando o conceito de Joseph Pilates
que o seu método trabalha corpo e mente
de forma simultânea.
Ainda sobre as melhoras a nível
psicológico, Roh (2016) obteve
resultados positivos com um grupo de
150 mulheres acima de 60 anos. O estudo
teve uma duração de 16 semanas e
concluiu a melhora em diversos aspectos
como autoconfiança, eficiência na
comunicação, traços otimistas e no
controle da raiva, demonstrando que o
método pode ser utilizado também para
alívio dos sintomas da depressão e da
resiliência do ego.
A modalidade, como citada por
Joseph Pilates, trabalha o aluno de forma
completa, em oposição ao treinamento
convencional segmentado. O praticante,
após algumas aulas, se movimenta de
forma mais precisa e mais fluída durante
os exercícios, reproduzindo-os com uma
qualidade maior. Qualidade, no método,
valorizada em detrimento a quantidade
de exercícios ou repetições.

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Sobre mim
Samanta Valéria

Educadora física graduada pela Pontifícia Universidade Católica do Parana. Pós-groduada em Treinamento Desportivo pela Universidade Federal do Parana. Certificada em Pilates pelo Physicalmind Institute® de Nova York / DeMarkondes Pilates ®

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